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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Forma-se a alma de um poeta

Dia após dia eu vou ficando oca. Meu corpo esvazia, minha mente esvazia, minha alma esvazia até que eu me torne nada mais do que uma máquina oca e sem vida própria. Como um coco que é atirado a um rio depois que se bebe sua água, sigo a corrente simplesmente por seguir e desemboco no mar sem saber ou ligar para onde estou.

O processo de me esvaziar não é voluntário e não é controlável. É culpa da seringa, ah, a terrível seringa! A seringa que me rasga a pele, que me sangra e rouba o que eu tenho de mais sagrado, vivo e novo dentro de mim. A seringa que rompe a fina casca, rouba o vitelo e não me deixa (nunca!) passar de embrião a indivíduo. A seringa que muitas vezes me abortou.

Mas há uma coisa que ela não consegue me tirar; o que eu tenho de mais sólido em mim e que, quanto mais dele me alimento, mais dele consigo. O vitelo que já me levou de embrião a gástrula, e vai originar um indivíduo até meio raquítico, mas com uma dura carapaça que seringa nenhuma é capaz de perfurar.

A única certeza dogmática que mantém minha sanidade quando tudo mais é tirado de mim: as minhas palavras.

Ok, pessoal, tenho mais duas divulgações para fazer hoje. A primeira é do blog da minha querida amiga Tereza (@terezilda), o http://terezilda.blogspot.com. Ela escreve muito bem e merece muito uma olhada além do primeiro post; quando você lê os textos dela, entende que são sinceros e reais. Recomendo a todo mundo.
A segunda divulgação é o blog do meu também querido amigo Pier (@_OPoeta), outro que tem a manha com as palavras, o http://diariosdumpoeta.blogspot.com. Os poemas dele são sensacionais e dá pra ver que as palavras vão a ele com a naturalidade com que as tartarugas buscam o mar.
Só para vocês terem noção, os blogs deles tão ali do lado, no "Diga-me com quem andas". Isso não é pra qualquer um não, hein! Então deixem comentários full of love para eles, porque eu acho que escritores como eles merecem todo o apoio possível! ^-^

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ilusão, Frustração

Confesso que esse texto não é um dos meus melhores trabalhos, mas eu realmente estou com vontade de postar. Leiam com carinho.

A noite cai e, com ela, caem as lágrimas no rosto da garota que se frustrou mais uma vez. Ela chega em casa e se enfia direto no banho para tentar se acalmar. E, principalmente, para tentar disfarçar as lágrimas e a vermelhidão nos olhos e no rosto com a água quente, quase fervendo. Alguns minutos e muito vapor depois, ela sai do banheiro enrolada na toalha, o choro controlado, a pele toda enrubescida com o calor.

Põe sua roupa, leva a toalha de volta para o banheiro, penteia o cabelo, seca com o secador, pondera seriamente se deve ou não fazer chapinha, se decide por não fazer e deita na cama com o iPod na mão. Sua mente se acalma e começa a vagar, agora que estão terminadas as muitas tarefas ligadas ao simples ato de tomar banho. E então a coisa degringola de novo.

O nariz começa a coçar; ela se esforça para reprimir o choro e apenas o intensifica. Antes que se dê conta, seus músculos do rosto estão se contraindo numa careta de dor, sua garganta está apertada e suas lágrimas escorrem de novo. Como se reduziu àquilo?, ela se pergunta. Mas a resposta é óbvia.

Os acontecimentos do dia passam em flashes diante de suas pálpebras cerradas. Ele nem sequer olhara para ela a maior parte do dia. Ele ficara abraçando outras meninas, amigas dele, indiferente à sua presença. E na única vez em que ele viera conversar com ela, ela não conseguira manter a conversa. Fora um total fracasso.

Seu coração bate apertado, ainda mais porque ela abraça os joelhos e o tórax com força. Frustrada, com raiva, ela se promete que vai esquecê-lo. Ela diz a si mesma que ele não vale apena. Que não faz sentido continuar com aquilo já que ela tem total controle do seu coração (mesmo sabendo que não tem), e que é melhor deixá-lo para trás. Até aí ela faz o mais sensato, exatamente o que tem que fazer para se sentir bem.

E então ela comete o erro:

- Eu vou achar alguém que vale à pena, sei que vou. É só continuar procurando.

É aí que ela erra, como todas as outras erram. É nesse momento que ela profere sua sentença e se condena a mais sofrimento, mantendo-se presa ao ciclo que é sempre o mesmo.

Começa com algo simples, banal. Uma gentileza, uma brincadeira, um contato mais longo das duas mãos, um olhar. Coisas que seriam vistas por pessoas sensatas como normais. Mas sua visão está turva e direcionada, e tudo toma proporções monumentais. De repente, surge essa sensação, e ela se diz apaixonada.

Apaixonada, mas sequer conversa com o rapaz. Apaixonada, mas não sabe dizer por quê. Apaixonada, mas não sabe sequer por quem.

Ela tenta e tenta se aproximar dele, e então há apenas dois possíveis passos seguintes: primeiro, ela não consegue, e se sente rejeitada (mas o rapaz sequer sabia que havia algo!); segundo, ela consegue, mas percebe que eles não têm nada a ver um com outro. Em geral ela insiste um pouco mais, mas só até o ponto em que a coisa se torna insustentável.

E, qualquer que seja o passo seguido, depois dele vem o sofrimento. Quando ele se torna demais, ela decide que é o bastante, e dá um passo na direção da liberdade - mas não consegue encerrar o ciclo, porque continua acreditando que “o amor está por aí, só basta procurar”.

A verdade é que não se deve procurar por amor, porque quem procura e não acha inventa, e se apaixona pela ideia de se apaixonar. E aí cria esperanças em cima de uma ilusão, cria uma possível felicidade em cima de uma ilusão. Se apaixona por uma ilusão. E, quando ela começa a cobrar seu preço, tudo cai por terra, sendo substituído pela dor da frustração.

Mesmo assim, ela não consegue impedir sua irrefreável procura pela ilusão.

domingo, 26 de setembro de 2010

Predadores

Vou me arriscar com um poema. Não sei se ficou bom, mas trabalhei um bocado nele.
E uma homenagem especial pro Pier e pra Taty, que responderam ao "desafio" de semana passada.

No topo da cadeia alimentar
Ganhando a corrida da evolução
Próximo a Deus em sua imperfeição
Sem predadores a atormentar

O homem assiste, do pedestal
Criado pela enorme vaidade
Para enaltecer sua majestade,
Às lutas comuns ao mundo animal

No topo da cadeia alimentar
Sossegado em sua supremacia
Não tem que lutar dia após dia
Para garantir seu lugar

Mergulhado em arrogância não vê
Que sua luta é muito maior
E que carrega o predador consigo

Muitas vezes um verdadeiro amigo
De todos os predadores é o pior
Pois é nele que sempre se crê

E o predador no homem entranhado
Batendo e ajudando dia após dia
Camufla-se como grande aliado

E o enche da mais profunda alegria
Pra num golpe dado com maestria
Tomar de volta o que de bom tinha dado

E a vontade de viver do homem cai por terra
E a dor é pior que qualquer ferida de guerra


Galera, vou aproveitar esse espaço pra fazer uma, aliás, duas pequenas divulgações.
A primeira é do Vlog do meu amigo João Pedro e do primo dele, que tá começando. Eles são bem engraçados, vale a pena ver (claro, se vocês forem fãs de vlogs).
http://www.youtube.com/watch?v=O1lDdX86RIA

A segunda é do projeto cultural do meu cunhado Dimitry, chamado Belô Artes. A ideia é a divulgação da arte e da cultura, e vai ser todo pela internet, com indicações de bandas e peças de teatros, promoções, colunistas (inclusive uma coluna minha), entre outras coisas. O site estreia na íntegra dia 22 de Outubro, mas já está no ar com algumas informações do projeto.
http://www.beloartes.com.br/
Twitter: @beloartes

domingo, 19 de setembro de 2010

Às Avessas

Escrito durante o feriado do Dia da Independência

Ele encara a parede branca; os olhos arregalados, um copo de uísque na mão. Não esperava por aquilo, não o vira chegando. Achava que tinha pleno controle da situação - até que a poeira baixara.

Os carros que passam na rua lançam sombras bruxuleantes na parede, como fantasmas que dançam em frente aos seus olhos. Ele já é amigo desses fantasmas, amigo de longa data, e os encara e à parede branca buscando respostas. Mas elas não vêm. Elas nunca vêm.

Por isso o uísque.

Ele sorve um gole e cospe tudo em meio a uma tosse. Engasga-se, desespera-se. E após um momento de angústia (espere... se é um momento, é melhor que seja de agonia) ele volta a respirar quase livremente. Encara a parede de novo, o fôlego vindo em arfadas, em sincronia com a dança dos fantasmas-sombras. Tudo o que lhe resta: seu uísque, seus fantasmas, e sua tosse.

Ele respira fundo para falar alguma coisa (com quem?), e outra tosse o acomete. Está ficando pior: dessa vez o ataque dura longos minutos. Ele se agarra ao copo; vira todo o uísque para acalmar a garganta. Seus olhos se enchem de lágrimas com a queimação do álcool; aos poucos seu coração desce para seu lugar e se acalma.

Ele espera a respiração voltar ao normal, sacode a cabeça e solta um suspiro de surpresa. Não faz nenhum sentido aquela tosse. Levanta-se da cadeira e sai a passos arrastados, apagando a luz ao passar.

E não consegue ver o coágulo de sangue escorrendo pela beira do copo, porque não faz sentido ele estar ali.

Pequeno desafio pra vocês: quem conseguir apresentar uma explicação para o título do texto ganha uma homenagem no próximo post ^-^

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Quem tem o maior ego?

E você fica aí com seu orgulho ferido, e eu fico aqui com meus joguinhos banais. Você me chama, eu não respondo, para fingir que tenho mais o que fazer. Eu te chamo e você vira o rosto, porque quer não querer falar comigo. O que começou isso ninguém sabe, nem quer saber. Queremos é um jeito de acabar com o que já começou e já incomoda.

Mas você tenta, e eu não consigo impedir um sorriso de vitória. Você fecha a cara, o coração, e morrem as palavras. Eu me arrependo, tento pedir desculpas sem pedir, e você perde a paciência. Levanta-se e sai, jogando na minha cara tudo o que eu já fiz e todas as minhas pisadas de bola. E eu sei de tudo isso, mas não quero admitir. Eu sei que estraguei tudo, mas não quero admitir. Eu sinto sua falta, mas não quero admitir.

E esse texto é pra você, mas nunca vou admitir.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Abuso de Poder

Ser um escritor não quer dizer apenas escrever textos literários. Não é escutar os sussurros apenas dos seus personagens. Muitas vezes, é escutar seus próprios surrurros, e encontrar sua própria voz.
As pessoas logosóficas vão enteder pra quem é esse texto, e eu ainda vou pregá-lo no mural da escola. Mas, enquanto ainda preciso dos meus pontos, vamos ficar por aqui.

Você não pode nos tratar assim. Você não pode calar nossa voz. Ah, mas o verbo “poder” tem significados demais. Você não deve nos tratar assim. Poder, você pode. Você tem esse poder. Mas por quê?

Idade não quer dizer experiência. Idade não quer dizer respeito. Respeito é algo que se conquista com tempo de convivência, não tempo de vivência. Respeito é algo mútuo.

Hierarquia não quer dizer direito. Quer dizer acordo, compromisso, e responsabilidade. Responsabilidade com os seus deveres, responsabilidade como chefe com os seus subordinados. Responsabilidade de ser respeitoso.

Poder não quer dizer que pode. Poder quer dizer que você deve ser cauteloso, e que alguém te concede permissão para fazer alguma coisa. Não há poder sem permissão; não há permissão sem confiança; não há confiança sem respeito.

Não há poder sem respeito.

Somos jovens, mas temos senso de justiça. Somos jovens, mas temos voz. Somos jovens; erramos. Não temos tanta experiência. Mas valorizamos muito e tiramos muito aprendizado das poucas que temos. Talvez essa seja a diferença entre nós.

Merecemos respeito. Você é nossa superior? Não. Não somos inferiores a você; nem mesmo hierarquicamente. Pois não existe nada como hierarquia. Existe um contrato social, em que concedemos a você poder de tomar algumas decisões. Nós te damos permissão - mas não há permissão sem respeito.

Somos jovens, mas temos senso de justiça.

Somos jovens, mas não somos diferentes de você.

Somos jovens, mas temos voz.

sábado, 21 de agosto de 2010

Mais um copo, por favor

O ruído da porta se abrindo se repete mais uma vez. O garoto vira o rosto sem esconder sua ansiedade, e deixa claro o seu desapontamento quando vê quem chegou. É uma garota de cabelos loiros logo abaixo do queixo, usando um vestido branco com bolinhas azul-escuro. Ele suspira. Não é ela.

Vira-se novamente para o atendente do bar, acompanhando com os olhos dois copos de alguma bebida que eram entregues a um outro garoto. Decidido, diz:

- Me dá um também.

- Um de quê? – o barman estranha. Ele conhece o garoto, sabe que ele não é de beber.

- Qualquer coisa. Alguma coisa com álcool.

O barman franze as sobrancelhas, mas não diz nada. Ignora o fato de o garoto ter apenas 17 anos – o dono da festa disse que a bebida estava liberada, então ele só está seguindo instruções. Prepara rapidamente um coquetel: laranja, pêssego, e uma quantidade muito pequena de vodka (ele não quer deixar o menino bêbado), e entrega o copo.

O menino olha para o copo de bebida alaranjada. Não sabe por que está fazendo aquilo. Não gosta de beber, não acha o gosto de álcool bom e se orgulha de dizer que nunca ficou bêbado. Mas alguma coisa acendeu nele a vontade de experimentar aquilo. Então ele suga o primeiro gole pelo canudinho.

O gosto forte do álcool é a primeira coisa que ele sente, e ele quase engasga com a pressa de engolir. Arrepende-se de ter pedido aquela bebida, e pensa em devolvê-la. Mas depois que o gosto de álcool diminui, ele sente outros gostos: laranja, talvez, e pêssego. Ele não gosta de pêssego, mas até que não está ruim. Ele toma coragem e suga mais um pouco pelo canudinho.

Mais uma vez, o gosto do álcool se sobrepõe aos outros. É amargo, talvez; indescritível, mas não de um jeito bom. Dessa vez o menino tenta engolir mais devagar, saborear mais a bebida. Depois que o álcool diminui, ele só consegue sentir o gosto do pêssego.

Engole com uma careta. Dos três ingredientes daquela bebida, ele não gosta de dois. Dessa vez, decide-se: não quer mais. Com outra careta, empurra o copo para o meio do balcão e se vira para o barman - mas, mais uma vez, a porta se abre. Mais alguém chega à festa. Ele vira o rosto novamente, esperançoso. Dessa vez é uma garota baixinha de cabelos pretos bem curtos e olhos verde-folha.

Não é ela. De novo.

A esperança se vai com um suspiro. Ele encara os olhos verdes da menina com intensidade, até que ela lança um sorriso envergonhando, provavelmente pensando "quem é esse esquisito me encarando?". O menino abaixa os olhos, pega o copo no balcão e o encara. Sem pensar muito, toma outro gole. O álcool queima sua garganta pela terceira vez, mas agora não é tão ruim. Ele começa a sentir um gosto um pouco doce. E, de qualquer forma, é melhor do que o gosto de bile que está começando a impregnar sua garganta.

Ele suspira e sorve mais um pouco do líquido alaranjado enquanto reflete sobre o estado miserável em que se encontra. Nunca bebeu antes – nunca! E agora está ali, bebendo por causa de uma mulher. Mas não é qualquer mulher: é ela. A única capaz de, com apenas um olhar, fazer o chão se abrir sob os pés dele.

Outro suspiro, outro gole. O gosto do álcool já está parando de incomodar. Está quase bom. Ele começa a assistir o movimento da festa, com o copo na mão. Alguns meninos batem papo aos berros num canto; algumas meninas tentam conversar com o rosto perto do ouvido da outra. Um grupo grande de pessoas passando mal se aglomera perto do banheiro; e a pista de dança está lotada.

Ele vai bebendo enquanto observa, distraído. Quando se dá conta, bebeu todo o conteúdo do copo. Vira no banco para o balcão; pede outro coquetel.

- Coquetel é bebida de moça. - diz um amigo parado perto do rapaz, bebedor inveterado. O amigo se surpreende que ele esteja bebendo, mas festeja. Pede dois Cuba Libres; dá um dos copos para o ele. O rapaz brinda alegremente com o amigo e dá um grande gole. Engole com força, sorri. Não faz a menor ideia do que está ali, e não gosta tanto assim do gosto, mas “que se dane”. É bom. Faz com que ele se sinta melhor.

Bebe mais um gole, pequeno, dessa vez, e se levanta, com o copo na mão. Diz que quer dançar. O amigo apoia. Passa o braço pelo pescoço do rapaz e vai levando-o para a pista de dança, gritando junto com a música. Os dois cruzam o salão aos pequenos pulos, chamando atenção. “Um mais chapado que o outro”, pensam os amigos.

A festa vai se desenrolando e o rapaz na pista de dança, sem se preocupar com mais nada além do nível da bebida em seu copo. Já há muito tempo ele parou de “vigiar” quem chega. Dane-se; ele só quer curtir a festa agora.

Alguém o convida para “sei-lá-o-que de burro”. Envolve pinga, sal, e limão na boca dos outros. Envolve álcool. Ele topa. Entra na fila e observa quem vai antes dele, para entender como funciona.

Seu limão acaba ficando com uma menina até bonitinha. Ele sorri para ela, ergue as sobrancelhas, e então começa. Lambe o sal da palma e vai pegar o limão. A fruta escorrega, e ele se esforça para pegá-la, sob os gritos das pessoas ao redor. Ele se esforça tanto que fica completamente alheio ao fato de que a porta acaba de se abrir, e uma pessoa entra.

Ela.

A menina que causou tudo isso; a menina que ele tanto esperava.

Ela entra, cumprimenta a aniversariante, pede desculpas pelo atraso. Procura um lugar para deixar sua bolsa e então esquadrinha o salão com o olhar, para ter uma imagem da festa. Procura por suas amigas, e então o encontra. Ele. No meio da aglomeração. Virando um copo de pinga.

Ela sente um certo gosto de bile na garganta. Não sabia que ele bebia; achava que não. Achava que ele era diferente dos outros garotos. Que ele era maduro o suficiente para estar acima dessa mania de beber até passar mal por achar que é bacana. Mas aparentemente ela está enganada. Aparentemente ele é só mais um idiota.

No fundo ele não é. No fundo ele só está fazendo isso por desespero de que ela jamais perceba que ele é um bom garoto. Porque, quando olha para ele, parece não o ver.

E agora, que ela finalmente decide vê-lo, ele não deixa.